O Diabetes e a Podologia

O Diabetes e a Podologia

por Márcia Nogueira

No Brasil há 10 milhões de portadores e 3 mil especialistas para cuidarem deles, sendo que 90% portadores do tipo 2.

O diabetes é considerado uma doença crônica.

Existe uma alta incidência de complicações crônicas em pessoas diabéticas. Vamos descrever algumas delas:

1. Distúrbios visuais e cegueira

A célula queima lipídeos e libera ácido cetônico, quando o diabético se encontra descompensado. Esse ácido destrói as células da retina.
O sangue ácido danifica outros órgãos, altera a coagulação e a cicatrização dos tecidos.

2. Hipertensão arterial

3. Doença renal (nefropatia)- Insuficiência renal

4. Distúrbios circulatórios vasculares cerebrais (derrames cerebrais).

5. Pé diabético

6. Amputação dos membros inferiores

Uma complicação aguda , pode levar o paciente ao coma diabético ou apresentar uma crise convulsiva como mal súbito.

Definição: o Diabetes é a produção insuficiente de insulina (total ou parcial) pelo pâncreas. Há um aumento da glicose no sangue. O hormônio insulina leva a glicose do sangue para as células. Na sua falta, a glicose (açúcar) se acumula na corrente sanguínea causando a hiperglicemia.

Tipos de diabetes mais freqüentes:

A.Tipo 1 ou insulino dependente: Ocorre em crianças ou jovens. Aparece cedo e progride rápido.É o resultado da destruição da célula beta, produtora de insulina por engano, pois,o organismo acha que são corpos estranhos. Isso é chamado de resposta- imune .Possui causa desconhecida (genética). Os fatores ligados ao diabetes tipo 1 podem ser: genéticos , por infecções virais, por auto- anticorpos,pela ingestão de leite de vaca e os radicais livres de oxigênio. Esse paciente deve tomar injeções diárias de insulina, fazer dieta e praticar exercícios físicos .

B. Tipo 2 ou insulino dependente: Ocorre em indivíduos com mais de 40 anos. Em geral são obesos e sedentários, nesses casos a gordura interfere no metabolismo da insulina. Aparece gradualmente, e demora anos para desenvolver. Produz parcialmente, a insulina ou não consegue utilizá-la adequadamente. Esse paciente tem como tratamento: dieta, exercícios físicos e medicamento que pode auxiliar a secreção de insulina, diminuir a resistência insulínica ou que diminua a velocidade da ingestão de carboidratos

Diabetes gestacional: Aparece com a gestação e às vezes desaparece após o parto. Esses pacientes podem desenvolver, mais tarde, diabetes tipo 2 . O tratamento é feito através de exercícios físicos, dieta e insulina

2.Pé diabético

Pé Diabético

Na podologia, vamos ter contato com o Pé diabético, que se define como: um conjunto de alterações que ocorrem nos pés, devido à evolução da doença.
O diabetes altera nos pés:
o sistema vascular, a resposta imunológica e os nervos do pé (neuropatia).
Essa complicação crônica se classifica de acordo com a parte anatômica prejudicada:

  • Pé neuropático: o sistema nervoso periférico (dedos) é alterado.

  • Pé infeccioso: o sistema imunológico é alterado, o tornando vulnerável à patologias.

  • Pé isquêmico: o sistema circulatório é deficiente, provocando a isquemia, ainda não apresenta necrose.

  • Pé misto: apresenta dois ou mais dos quadros acima.

Pé Diabético

O pé neuropático apresenta os seguintes sinais: formigamento, agulhadas, queimação, dormência e fraqueza nas pernas. À noite, piora.Verificamos: a perda de sensibilidade (hipoestesia), deformidades de apoio (atrofia muscular/ musculatura rígida) e a presença do mal perfurante plantar, geralmente, no antepé ( pode também ser causado pelo mal de Hansen , sífilis, fumo, alcoolismo etc.) .

O mal perfurante plantar é uma úlcera crônica (leds) e profunda, desenvolvida com  freqüência nos pontos de apoio, abaixo de uma formação queratósica (calo), por falta de sensibilidade, portanto, é indolor.

O pé infeccioso é acometido por bactérias piogênicas, que se associam às infecções fúngicas (micose de pele e/ou unha). Algumas infecções também ocorrem, devido à manipulação de unhas encravadas, esporão plantar e calosidades. A neuropatia também torna essas patologias indolores.

No pé isquêmico, os principais sinais são: dor na panturrilha (batata da perna), na coxa esse nota melhora quando cessa o movimento. A falta de circulação arterial, venosa e linfática, leva aos poucos à necrose, que é a morte dos tecidos. A amputação é um último recurso, usado na tentativa de conter a gangrena, que é um mal irreversível.

No pé misto podem ser encontradas duas ou três, das alterações citadas acima: neurológicas , vasculares e infecciosas.

3. A atuação do Podólogo

Instrumento Podólogo

A primeira atitude do podólogo, em relação ao seu cliente é o preenchimento da  anamnese, com ela temos seu passado clínico e assim, nos orientamos para um procedimento adequado.

Existem alguns recursos que o profissional pode utilizar para fazer um exame minucioso da sensibilidade do cliente. Instrumentos como o monofilamento e osimples e muito importantes. São eles: tomar o pulso da artéria pediosa, verificar a temperatura local: pé frio/ isquemia e pé quente/ inflamação, a cor da pele, que traduz o estado de circulação dos capilares:cianose (arroxeado), indica acúmulo de sangue pouco oxigenado ,rubor (avermelhado), indica vasodilatação e palidez ( sem cor), indica estado de isquemia, o estado das unhas: a diminuição do aporte sangüíneo torna o crescimento das unhas lento e desigual e seu aspecto irregular e por fim se há úlceras localizadas nas extremidades dos dedos, podendo fazer o desbaste na região queratósica com conhecimento e responsabilidade.

Pés O cliente diabético deve seguir, diariamente, as orientações básicas, fornecidas por seu não utilizar água quente em hipótese alguma , lavar e secar bem entre os dedos são medidas de grande valia, pois, a prevenção é uma grande aliada, não só para os portadores de diabetes, mas para todos que querem ter  pés saudáveis por muito tempo.

Produtos Recomendados:

Aprenda os 5 passos para obter o PÉ PERFEITO aplicando a metodologia SPA DO PÉ!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *