Fisiopatologia dos Granulomas

Fisiopatologia dos Granulomas

Autora: Acadêmica de Enfermagem e Podóloga Adriane do Espírito Santo Rangel Soares.

Uma onicocriptose pode desencadear vários tipos de processos inflamatórios, cabe ao podólogo, profissional que domina a manipulação e técnicas de cuidados desta onicodistrofia, como no caso, os vários tipos de espiculaectomias, adquirir conhecimentos destes diversos tipos de processos inflamatórios.

Para o estudo de processos fisiológicos, como o fascinante processo inflamatório,  é necessário  que o pesquisador adote um modelo experimental, e quando se fala de modelo experimental não podemos deixar de mencionar importantes precursores como:

  • Julius Cohnheim (1839-1884), que foi o primeiro a usar o microscópio para observar vasos sanguíneos inflamados na língua de sapos e;
  • O biólogo russo Elie Metchnikoff (Prêmio Nobel em 1908), que descobriu o processo de fagocitose ao observar a ingestão de espinhos da rosa por amebócitos de larvas da estrela-do-mar.

Este foi o modelo experimental adotado por mim:

Modelo de Inflamação Provocada Por Lamínulas de Vidro no Subcutâneo de Ratos Wistar Para Observação de Formação de Granulomas Não Imunogênicos.

Acadêmica de Enfermagem pela Faculdade Novo Milênio – ES e Podóloga Adriane do Espírito Santo Rangel Soares.

Orientadora: Farmacêutica com Mestrado em Fisiologia pela Universidade Federal Ufes – ES Quézia Pires de Moura.

Aspectos da Pesquisa:

Foram utilizados 04 ratos (peso de 160gr cada) da raça Wistar.

Utilização de anestésico hidrato de cloral a 10% (Dose 0,4 ml para cada 100gr).

Ratos mantidos em gaiolas individuais e tratados com ração e água.

Em fase de elaboração para aprovação pelo Comitê de Ética da Faculdade Pitágoras – Colatina – ES (caso o pesquisador deseje publicar sua pesquisa em periódicos de cunho científico, se faz necessário aprovação por um comitê de ética, principalmente para garantia de que não houve maus tratos em relação ao animal estudado).

1ª Etapa: Incisão no dorso para introdução de lamínulas de vidro após antissepsia com PVPI

Autoria das imagens: Adriane do Espírito Santo Rangel Soares

2ª Etapa: Sutura e limpeza da ferida cirúrgica com PVPI

Autoria das imagens: Adriane do Espírito Santo Rangel Soares

3ª Etapa: Após 15 dias quadro de inflamação aguda.

Autoria das imagens: Adriane do Espírito Santo Rangel Soares

4ª Etapa: observação após 3 meses.

Autoria das imagens: Adriane do Espírito Santo Rangel Soares

Conclusão: nas últimas duas imagens percebe-se ausência dos sinais cardinais clássicos de um processo inflamatório agudo, após 3 meses da introdução da lamínula de vidro, como também observa-se que não houve formação de granuloma de corpo estranho. Concluindo-se que só há formação de granuloma (inflamação crônica do tipo específica), quando o agente agressor não é eliminado durante a fase aguda do processo inflamatório, ou seja, as células de defesa não conseguem digerir o agente. Neste caso, houve resolução na fase aguda do processo inflamatório.

Inflamação crônica é a soma das reações do organismo como consequência da persistência do agente agressor (biológico, físico, químico, imunológico), que não é eliminado pelos mecanismos da inflamação aguda.

Inflamação Crônica do Tipo Específica: Forma Granulomas.

Inflamação Crônica do Tipo Inespecífica: Forma tecido de granulação.

Fonte: Inflamação. Autora: Stefani Alvarenga

Inflamações Granulomatosas

Fonte: Inflamação. Autora: Stefani Alvarenga

Granuloma: agregados celulares organizados de macrófagos e as inflamações que os apresentam constituem as inflamações granulomatosas.

Fonte: Atlas de Dermatologia Clínica, Anthony Du Vivier, 2ª edição.

Etapas da formação dos granulomas:

Recrutamento: saída do vaso sanguíneo de um monócito para os tecidos, quando um monócito sai do vaso sanguíneo para o tecido se denomina macrófago (fator quimiotático).

Ativação

Formação

Fonte: Patologia Estrutural e Funcional, Robbins, 6ª Edição

Conceitos de Granuloma Piogênico em sites da Internet

O granuloma piogênico é um processo proliferativo reacional, composto por tecido de granulação com extensa vascularização, provavelmente decorrente de irritação crônica de baixa intensidade.

SSN 1807-5274

Rev. Clín. Pesq. Odontol., Curitiba, v. 4, n. 1, p. 29-33, jan./abr. 2008

©Revista de Clínica e Pesquisa Odontológica.

Terceiro estágio, de granulação : aparecerá uma proliferação carnuda exuberante chamada “granuloma piogênico”, sua cor, um vermelho escuro e, muitas vezes, coberto por uma crosta. Por ser um tumor muito vascularizado, com o simples atrito do calçado, pode sangrar. Se a atuação profissional (podólogo) não for procurada a situação pode prolongar-se até que algum fator desesperante leve a uma consulta.

http://www.nicepodologa.com.br

2 – a espícula ungueal atua como corpo estranho e mantém o processo inflamatório ativo causando frequentemente infecções bacterianas; 3 – ocorre formação de tecido de granulação com aspecto exuberante. O paciente apresenta dor na porção lateral ou medial dos artelhos, acompanhada de drenagem de secreção purulenta e dificuldade na deambulação.

http://www.surgicalcosmetic.org.br

Apesar da sonoridade parecida, os termos granuloma e tecido de granulação representam fenômenos distintos e não devem ser utilizados como sinônimos nas análises microscópicas, pois isso induz a interpretações equivocadas.

Tecido de granulação e granuloma: dois termos com significados muito diferentes. Alberto Consolaro, Franklin Moreira Leahy

http://www.dentalpress.com.br/revista

Conclusão: O que percebe-se, independente da área de estudo (Dermatologia, Odontologia ou Podologia), é que nem sempre os conceitos adotados estão de acordo com o conceito proposto pelo estudo da patologia.

Conceito de granuloma piogênico: pequena lesão vegetante, geralmente pediculada, ulcerada e coberta de crosta, que sangra ao menor traumatismo. Atualmente, considera-se o granuloma piogênico um hemangioma capilar.

Granuloma Piogênico = Hemangioma Capilar

Bogliolo Patologia 6ª edição.

Granuloma Piogênico (Granuloma Telangiectásico):

Definição: Uma pápula vascular benigna extremamente comum que ocorre no jovem, possivelmente como resposta à lesão.

Etiologia: Pode resultar de traumatismo, porém muitos pacientes não têm nenhuma lembrança de uma lesão. Apesar do seu nome, a condição não é granulomatosa na patologia nem piogênica na origem.

Atlas de Dermatologia Clínica, Anthony Du Vivier, 2ª edição.

Granuloma Piogênico (Hemangioma Capilar): forma polipóide de hemangioma capilar que ocorre como nódulo vermelho exofítico de rápido crescimento, que sangra facilmente e quase sempre sofre ulceração. Um terço das lesões surge após traumatismo.  Os capilares em proliferação apresentam notável semelhança com tecido de granulação.

Fonte: Patologia Estrutural e Funcional, Robbins, 6ª Edição

Granuloma piogênico (hemangioma capilar) possui superfície lisa e friável.

Atlas de Dermatologia Clínica, Anthony Du Vivier, 2ª edição.

Tecido de granulação excessivo pode simular um granuloma piogênico (hemangioma capilar), mas a superfície é cruenta e erodida.

Imagem retirada do site alegriadospéspodologia.net.br

Granuloma (Hemangioma Capilar) não é tecido de granulação!

Imagem retirada do endereço eletrônico granulomapiogenico.oneide

É fundamental para o podólogo saber diferenciar estes dois tipos de lesões até mesmo para compreensão do menor e maior tempo de cicatrização de uma e de outra lesão: O hemangioma capilar geralmente leva um tempo maior para cicatrizar pois a tendência é formar crosta para depois começar o processo de cicatrização, já a onicocriptose associada a inflamação crônica do tipo inespecífica, ou seja, associada a tecido de granulação, é uma lesão que apresenta uma taxa de cicatrização mais rápida, pois o tecido de granulação por si só, já indica que a lesão, caso receba cuidados adequados, se encontra em pleno processo de cicatrização, pois se trata de vasos sanguíneos sendo reconstruídos, diferente do hemangioma capilar que caracteriza-se pela proliferação de vasos sanguíneos já formados.

Importante também é ter conhecimento que hemangiomas capilares (granulomas) podem surgir de forma espontânea ou em situações específicas como a pesquisa abaixo demonstra:

Granuloma piogênico em pacientes HIV+ tratados com indinavir*

Recebido em 08.05.2000.Aprovado pelo Conselho Consultivo e aceito para publicação em 28.02.2001. / Approved by the Consultive Council and accepted for publication in February, 28st of 2001.

* Trabalho realizado no Centro de Referência e Treinamento em DST/AIDS de São Paulo – SP. / Study performed at the STD/AIDS Reference and Training Center, São Paulo -São Paulo State.

1 Médica Dermatologista. / Doctor, Dermatologist.

2 Médica Infectologista. / Doctor, Infectologist.

©2001 by Anais Brasileiros de Dermatologia.

Este estudo foi realizado no Ambulatório do Centro de Referência e Treinamento em DST e Aids de São Paulo, SP, no período de julho de 1998 a abril de 1999. Nele foram incluídos 18 portadores da Aids, sendo 14 homens e quatro mulheres, com idade variando de 26 a 51 anos (média = 37,5 anos). Segundo o levantamento dos prontuários, 16 tinham história prévia de terapêutica com inibidores da transcriptase reversa.

Curiosamente, os pacientes não associavam trauma local com o aparecimento do GP e não referiam antecedente de unha encravada.

Portanto, todas as inflamações granulomatosas são crônicas, mas nem toda inflamação crônica forma granulomas.

Quando o agente persiste, ocorre equilíbrio entre a progressão da lesão causada pelo agente e o tecido de granulação que tenderá a formar uma barreira de tecido fibroso para isolar o agente dos tecidos do hospedeiro.

Imagem Professora Adriane do Espírito Santo Rangel Soares

Não podemos mais reproduzir informações na Podologia sem o conhecimento  e embasamento científico adequados. Se não nos responsabilizarmos pelo estudo da fisiopatologia das lesões que se apresentam em nossos gabinetes, outros se responsabilizarão e a nós só caberá o desencrave de unhas.

Acadêmica de Enfermagem e Podológa Adriane do Espírito Santo Rangel Soares.

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2 Comentários

  1. Adriana Terra da Silva

    então fui aluna da professora Adriane en Vila Velha na Vitativa em 2007. Se não me engano a Elisa
    era desta turma também. Eu sou aqui de Itaperuna e gostaria muito de ter contato com vcs!
    Gostaria de saber se a Adriane ainda esta ministrando o curso e se existem através dela cursos
    de atualização e complementos dentro da Podologia?
    Adorei encontrar esses artigos através de vcs.

    • shinsei

      Adriana, tudo bom?
      A pessoa que pode te informar a respeito disso é o Sr. Asamura.
      Segue e-mail de contato dele: [email protected]
      Se preferir, ligue para ele: (11) 2605-2777
      Atte.
      Vanessa

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