Técnicas de Hidratacao Podal

Autora: Podóloga e Acadêmica de Enfermagem Adriane do Espírito Santo Rangel Soares.

A Hidratação no Pé Diabético

A Podologia vem se consolidando como área de conhecimento e atuação no cenário da saúde brasileira, e como tal, tem ocupado seu espaço nas equipes multidisciplinares de atendimento ao portador de diabetes.

Diante desta imensa responsabilidade que temos conquistado com muito estudo e preparo, devemos estar atentos e buscar um conhecimento aprofundado das técnicas e produtos que utilizamos no indivíduo portador de diabetes.

Denomina-se pé diabético um estado fisiopatológico multifacetado, caracterizado por lesões que surgem nos pés da pessoa com diabetes e ocorrem como conseqüência de neuropatia em 90% dos casos, de doença vascular periférica e de deformidades. As lesões geralmente decorrem de trauma e freqüentemente se complicam com gangrena e infecção, ocasionadas por falhas no processo de cicatrização as quais podem resultar em amputação, quando não se institui tratamento precoce e adequado.

Cabe ao podólogo que possua conhecimento em cosmetologia, indicar e aplicar em seus clientes diabéticos, produtos que estejam de acordo com aquilo que é preconizado pelas autoridades no assunto e que consta dos vários manuais, veiculados aos profissionais que trabalham no atendimento ao portador de diabetes.

Segue abaixo modelo de orientações ao portador de diabetes:

É fundamental assegurar a capacitação de todos os pacientes (conhecimentos, habilidades e destrezas), de forma adequada para manter os pés saudáveis. As áreas que devem ser abordadas na educação do diabético, dos familiares e cuidadores são:

  • Revisão diária dos pés, incluindo as áreas entre os dedos, pelo próprio ou por outra pessoa. A observação por terceiros é delegado no caso de redução da acuidade visual. A planta do pé pode ser observada com um espelho.
  • Lavar diariamente os pés: Confirmar a temperatura da água com um termômetro (inferior a 37° C); após o banho secar os pés cuidadosamente, especialmente entre os dedos; a lavagem deve durar aproximadamente cinco minutos.
  • Não expor os pés a temperaturas extremas, quer frias ou quentes.
  • Trocar de meias diariamente. Estas devem ser de lã ou de algodão, preferencialmente de cor clara (detecção precoce de lesão exsudativa).
  • Utilizar as meias com as costuras para fora ou de preferência sem quaisquer costuras e não devem ter remendos.
  • Nunca caminhar descalço.
  • O calçado deve apresentar as seguintes características: O sapato deve medir mais um centímetro para além do dedo mais comprido; o calcanhar do sapato deve ser firme; o dorso deve ser alto, apertado com cordões ou velcro; o sapato deve possuir palmilha removível, que seja passível de substituição por uma palmilha individualizada; a troca por um novo par de sapatos deve fazer-se de modo gradual (experimentar ao fim da tarde, por exemplo); o material do sapato deve permitir a transpiração do mesmo (um bom material é o couro). Sapatos desportivos com sola de borracha são também uma boa escolha;
  • Não utilizar calçado sem meias.
  • Inspecionar e palpar diariamente o interior dos sapatos, antes de calçá-los.
  • Não cortar as unhas excessivamente: lixar é melhor do que cortar.
  • Não cortar os calos e não usar produtos químicos ou adesivos para retirar as calosidades: recorrer ao enfermeiro, médico ou podologista.
  • Se a pele estiver seca, aplicar cremes hidratantes, mas não entre os dedos.
  • Procurar caminhar diariamente.
  • Não fumar.
  • Controlar a glicemia, a pressão arterial e os lipídios.
  • Assegurar que os pés são examinados regularmente por um profissional de saúde.
  • Informar a equipe do Centro de Saúde sobre qualquer lesão ou alteração da cor do pé.

Com base em tudo o que foi apresentado, colocaremos em evidência o seguinte tópico: “Não cortar os calos e não usar produtos químicos ou adesivos para retirar as calosidades: recorrer ao enfermeiro, médico ou podologista.”

Os cosméticos (do grego kosmetikós = hábil em adornar) são um grupo de produtos ou substâncias que se aplicam na pele com a função de limpar, modificar o seu aspecto, proteger e manter em bom estado, não alterando a sua estrutura ou funções.

A epiderme é a camada mais importante da pele. Ela é constituída por epitélio estratificado, o estrato córneo, composto por camadas de células – os corneócitos ou queratinócitos – que se vão renovando continuamente até a sua diferenciação terminal ou queratinização, e que estão envolvidas por lipídeos lamelares e unidas por desmossomas. De acordo com a concepção de Peter Elias, a epiderme comporta-se como uma parede em que os corneócitos são os tijolos, e os lipídeos intercelulares o cimento. É apesar de tudo uma barreira delicada e susceptível, cuja integridade é primordial.

A pele possui várias funções:

  • Protetora contra agressão térmica, mecânica, química, agentes infecciosos, radiação ultravioleta e perda transepidérmica de água.
  • Imunovigilância ativa através do seu PH ácido, peptídeos antibacterianos (defensinas), imunoglobulinas do suor, células de Langerhans, etc., criando uma barreira biológica contra microorganismos.
  • Regulação térmica através da produção de suor, vasodilatação e vasoconstricção.
  • Sensibilidade pelo toque, dor, calor, frio.
  • Produção de vitamina D.
  • Depósito de lipídeos.
  • Função social ou interativa (empalidecer, corar).

O objetivo da cosmética é tentar promover a higiene cutânea e os cuidados à pele de forma a torná-la macia, saudável e bela. E, como já referido, constitui um grande mercado, comprovado pela classificação dos cosméticos em:

  • Cosméticos de Limpeza: sabões, compactos, shampoos, loções de toilette.
  • Cosméticos de Proteção: cremes de dia e noite, protetores solares, óleos de banho.
  • Cosméticos de Beleza: perfumes, batons de lábios, vernizes.
  • Cosméticos de Promessa: hidratantes, cremes reafirmantes e nutritivos.
  • Cosméticos de Correção: desodorizantes, cremes depilatórios, tintas de cabelo.

Os emolientes e hidratantes são indicados ao diabético com o intuito de tratar a pele seca, evitando-se desta forma fissuras que facilmente poderiam se tornar portas de entrada para vários tipos de infecções ou evoluir para uma lesão que poderia culminar em uma amputação.

O seu nome deriva do latim mollire, que quer dizer abrandar, suavizar. São substâncias que contêm lipídeos e que amaciam e restauram a elasticidade e homeostase da pele, evitando a perda transepidérmica de água e deixam um filme lipídico que preenche os espaços entre os corneócitos, o que facilita a sua adesão ao nível do estrato córneo. Têm propriedades umectantes (atraem água para a pele) e oclusivas (impedem que a água evapore). Podem apresentar-se sob a forma de emulsões A/O ou O/A, às quais são associados uma multiplicidade de agentes cuja composição nem sempre é conhecida. Sob a forma de cremes ou loções contêm por vezes agentes higroscópicos e umectantes (geralmente glicerina), e agentes esfoliantes ou queratolíticos (uréia, ácido láctico, α-hidroxiácidos) que diminuem a espessura do estrato córneo e amaciam a pele facilitando a penetração dos lipídeos.

Como podológos devemos estar atentos ao uso de cremes hidratantes associados a agentes queratolíticos como a uréia e outros no pé diabético. O tratamento podológico para hiperqueratoses já faz o papel de um creme queratolítico, pois retiramos de forma não invasiva com lâminas de bisturi e de forma calculada (de acordo com peso, profissão, atividade física, condições de pele, etc), o excesso de hiperqueratoses. E se o tratamento podológico já retira aquilo que está em excesso, devemos indicar um produto de manutenção para hidratar a pele já tratada.

Muitos são os profissionais da área da saúde, entre eles o podólogo que usam a uréia, seja para fins emolientes ou para fins de peelings químicos, neste caso contra-indicado no pé diabético devido à neuropatia.

Antes de usarmos qualquer produto devemos pesquisar sobre os mesmos, acerca de benefícios, princípios ativos, concentrações recomendadas, etc.

A seguir algumas informações sobre a uréia:

A uréia é um dos componentes do Fator Natural de Hidratação (NMF) do manto hidrolipídico da pele. No NMF, a concentração dela varia de 4% a 7%. Quando ela é aplicada topicamente, solubiliza e desnatura as proteínas da pele, traduzindo: ela aumenta a hidratação por sua capacidade de unir-se à água. Em condições climáticas adversas, a quantidade produzida pela pele pode não ser suficiente para manter seu aspecto saudável.

A capacidade de hidratação da uréia é ativa, pois ela mantém a pele hidratada por um período prolongado e o melhor: no interior das células ela ainda gera compostos que captam a água do ar.

Mas nem tudo são flores, existem contra indicações para quem apresenta hipersensibilidade, isto se mostra na forma de ardência, vermelhidão ou sensação de “pinicação”. Pergunte ao seu dermatologista se você pode usar.

Parecer Técnico nº 5, de 21 de dezembro de 2010

Assunto: Utilização da Uréia em produtos cosméticos. (Revisão do

Parecer Técnico CATEC nº 7, de 21 de outubro de 2005)

Considerando que de acordo com a Food and Drug Administration (FDA), o Cosmetic Ingredient Review (CIR) e o Heath Canada, a concentração de uréia em formulações cosméticas deve ser igual ou menor a 10% (1 – 4);

Considerando que as substâncias naturais ou sintéticas para uso em produtos cosméticos devem ser avaliadas em termos de risco e não de dano, com aplicação cosmética e não terapêutica (5);

Considerando que a uréia atravessa facilmente a barreira placentária (1, 3);

Considerando que a absorção da uréia na pele humana normal e lesionada é de 9,5 ± 2,3% e 67,9 ± 5,6%, respectivamente (1,3);

Considerando que a uréia pode favorecer o aumento da absorção cutânea de outras substâncias ativas (1, 3, 6);

Considerando que a uréia pode ser irritante à pele e aos olhos, e que, um contato prolongado ou repetidas aplicações na pele, pode causar dermatites (7);

Considerando que há relatos na literatura que a uréia em pH acima de 7,0 pode ser degradada em amônia (3).

A CATEC recomenda:

1) Estabelecer a concentração máxima de 10% de uréia para produtos com finalidade especificamente cosmética;

2) Estabelecer a concentração máxima de 3% de uréia para produtos com finalidade especificamente cosmética como grau de risco 1;

3) Para produto cosméticos com concentrações acima de 3% e menor ou igual a 10% de uréia, classificá-los, para fins de registro, como grau de risco 2;

4) Produtos com concentrações na faixa discriminada no item 3, devem

apresentar testes de segurança (irritabilidade primária, acumulada e de sensibilização);

5) Quando, na formulação, a uréia estiver associada com outro(s) ativo(s) será avaliada pela Autoridade Sanitária, a necessidade da apresentação de testes de absorção cutânea;

6) Quando o pH final do produto apresentar-se acima de 7,0 deverá ser comprovada a estabilidade química da uréia no produto final;

7) Que a rotulagem dos produtos contendo uréia apresente, obrigatoriamente, as seguintes informações de forma clara:

a. Manter fora do alcance das crianças;

b. Não utilizar sobre a pele irritada ou lesionada;

c. Evitar contato com os olhos;

d. Para o uso durante a gravidez, consulte um médico.

A Gerência Geral de Cosméticos adota o presente parecer como referência técnico-científica.

Conclusão:

Peles secas, com elasticidade diminuída, xerose e descamação, precisam é de água e óleo!

Referências Bibliográficas:

  • Ministério da saúde (Brasil). Secretaria de Atenção a Saúde, Departamento de Atenção Básica. Caderno de Atenção Básica Diabetes Mellitos. Brasília: Ministério da Saúde 2006.
  • Moreira P L, Dupas G. Vivendo com o diabetes: a experiência contada pela criança. Rev. Latino-Am. Enfermagem. Fev. 2006- Out 2009; 14(1):25-32.
  • Brito T B, Sadala M L A. Diabetes mellitus juvenil: a experiência de familiares de adolescentes e pré-adolescentes. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2009, vol.14, n.3, pp. 947-960. ISSN 1413-8123.
  • Aluna do oitavo semestre da Faculdade de Enfermagem da UNISA ([email protected]). Orientadora, Doutora em Ciências da Saúde, Profª Titular da Faculdade de Enfermagem da UNISA.
  • Pé diabético: estratégias para prevenção Kattia Ochoa-Vigo, Ana Emilia Pace. Acta Paul Enferm 2005;
  • ANDERSEN, F.A. Final report of the safety assessment of urea. International Journal of Toxicology, v. 24, n.3, s. 3, p. 1-56, 2005.
  • COSMETIC INGREDIENT REVIEW – CIR: Cosmetic Ingredient Findings: 1976- current. Disponível em < http://www.cirsafety.org/staff_files/safeasused.pdf>. Acesso em 5 nov. 2009.
  • INTERNATIONAL PROGRAMME ON CHEMICAL SAFETY. Urea (Screening Information Data Set – SIDs). Disponível em:<http://www.inchem.org/documents/sids/sids/57136.pdf>. Acesso em 02 nov. 2009.
  • HEALTH CANADA – COSMETIC INGREDIENT HOTLIST. Disponível em:<http://www.hc-sc.gc.ca/cps-spc/person/cosmet/info-indprof/_hot-listcritique/hotlist-liste_3-eng.php>. Acesso em 02 nov. 2009.
  • AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Guia para Avaliação de Segurança de Produtos Cosméticos. Brasília: ANVISA. 2003.
  • GODWIN, D.A.; PLAYER, M.R.; SOWELL, J.W.; MICHNIAK, B.B. Synthesis and investigation of urea compounds as transdermal penetration enhancers. International Journal of Pharmaceutics, v. 167, p.165-175, 1998.
  • INTERNATIONAL PROGRAMME ON CHEMICAL SAFETY. Urea (ICSC).

Disponível em:<http://www.inchem.org/documents/icsc/icsc/eics0595.htm>. Acesso em 02 nov. 2009.

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2 Comentários

  1. fernanda

    hidratacao pes diabetes

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